O Piauí encerrou o mês de abril de 2026 sem registrar nenhum feminicídio e nenhuma morte por intervenção policial. Além disso, houve uma redução de 60% nos homicídios dolosos em comparação a abril de 2022 e uma queda de mais de 80% nos roubos com arma de fogo no mesmo período. Os números representam o menor índice de homicídios no estado desde 2015 e, em Teresina, o menor da série histórica desde 2006.
O governador Rafael Fonteles atribui a redução significativa nos números do feminicídio ao trabalho coordenado das forças de segurança com toda rede de atendimento à mulher: Casa da Mulher Brasileira, disque 180, Patrulha Maria da Penha, delegacias especializadas de atendimento às mulheres, nomeação de diversas policiais mulheres, aperfeiçoamento da legislação para garantir mais proteção às mulheres e o encorajamento, a partir de várias campanhas, da denúncia ao primeiro sinal de violência.
Rafael também destacou em suas redes sociais, o papel das forças de segurança e comemorou os resultados. “São esses números que comprovam que estamos no caminho certo na política de segurança pública do estado do Piauí”, disse o governador. Ele ainda parabenizou os profissionais que reforçam a segurança pública.
Investimentos na área de segurança
Os resultados são atribuídos a uma série de investimentos em tecnologia e reforço policial. Entre as medidas está o BO Fácil, ferramenta que simplifica o registro de ocorrências e agiliza o atendimento à população.
Outro destaque é o Sistema de Videomonitoramento Urbano com Inteligência Artificial (SPIA), que já conta com mais de 3.500 câmeras inteligentes instaladas em pontos estratégicos de Teresina e Parnaíba.
O sistema é capaz de realizar reconhecimento facial, leitura automática de placas e análise comportamental, permitindo atuação rápida das forças de segurança e integração em tempo real com o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
Desde 2023, o Governo do Piauí vem reforçando a segurança pública com a nomeação de novos policiais militares, civis, penais e bombeiros. O objetivo é ampliar o policiamento preventivo e ostensivo em todo o estado, com a meta de atingir 4 mil novos profissionais até o final de 2026.
Piauí registra 177% a mais em tentativas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026
O Piauí registrou um aumento alarmante de tentativas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026: um crescimento de 177,78% em relação ao mesmo período do ano anterior, entre os meses de janeiro e março. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) nesta semana, por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Em 2026, o estado contabilizou 25 casos de tentativa de feminicídio, contra 9 registrados em 2025. A maioria das ocorrências se deu no interior do estado; Teresina chegou a registrar três casos. O mês de março foi o de maior incidência, com 15 tentativas, um dado que, somado aos 3 casos de janeiro e aos 7 de fevereiro, revela um escalonamento crítico e progressivo da violência contra a mulher no estado.
O aumento das tentativas reflete, em parte, uma redução dos feminicídios consumados: os casos diminuíram 75% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Foram 5 casos em 2026, contra 20 no ano anterior. O dado atual revela que todas as vítimas de feminicídio eram do interior do estado, nos municípios de São Lourenço do Piauí, Uruçuí, Dom Expedito Lopes, Dom Inocêncio e Alvorada do Gurgueia.
Janeiro foi o mês com o maior número de vítimas (3 casos), enquanto fevereiro e março registraram um caso cada. De janeiro a dezembro de 2025, foram contabilizados 37 casos de feminicídio no Piauí; a maioria, 29, concentrou-se no interior do estado, e Teresina registrou 8 ocorrências.
Os números reforçam que a violência letal contra mulheres em território piauiense avança, sobretudo, fora da capital, onde o acesso à rede de proteção é mais limitado, apesar das políticas públicas e da atuação das forças de segurança.
Em entrevista concedida no início do ano ao Portal O Dia, a delegada Eugênia Villa apontou que as principais motivações para o feminicídio têm ligação com uma masculinidade fragilizada e uma tentativa de reafirmação de poder, em que o agressor sente que perdeu o controle sobre a mulher e reage com violência extrema. “O que está em jogo é a masculinidade dele, colocada em xeque”, afirmou, relacionando o crime a uma cultura patriarcal que naturaliza a violência contra as mulheres.
A delegada defendeu que deve existir um enfrentamento conjunto: com o Estado reforçando a punição e a proteção das mulheres, e a sociedade rejeitando qualquer forma de tolerância à violência. “É preciso dizer basta. Não é natural que mulheres sofram agressões”, concluiu Villa.
Canais de atendimento e denúncia
– “Ei, Mermã, Não se Cale” (24h): 0800 000 1673
– Ligue 180: Central Nacional (24h)
– COPOM – Polícia Militar: 190
– Guarda Municipal: 153
– Casa da Mulher Brasileira (Teresina): (86) 99412-2719
– BO Fácil: 0800 086 0190
Fontes: Secom-PI e O Dia
