O peixe-boi será monitorado com cintos de GPS no litoral do Piauí. A espécie é considerada um indicador importante para saúde dos ecossistemas costeiro e o estado possui atualmente uma das maiores populações nativas da espécie. A iniciativa vai colocar o Piauí em destaque no cenário nacional voltado para conservação marinha.
O monitoramento deve ser iniciado a partir de junho deste ano com a captura do animal e a aplicação do cinto de GPS. Segundo a coordenadora do projeto FaunaMar, responsável pelo acompanhamento da espécie, Liliana Sousa, esse monitoramento vai ser fundamental e pioneiro no nosso litoral. Com ele será possível ter dados mais precisos das condições de migração e vivência do animal.
“Existe uma dificuldade de avistar esses animais no período sem chuva, e a gente precisa avançar na pesquisa e é aí que entra essa nova etapa, muito importante a nível de Brasil, das capturas científicas do peixe-boi nativos para instalação de transmissores via satélite e via VHF. É um monitoramento que vamos fazer diário e contínuo, tanto com uso dos transmissores com as informações que vão chegar via satélite como VHF, que conseguimos pegar o sinal via rádio. Essa ação faz parte de uma das estratégias mais importantes e previstas nos planos nacionais de conservação da espécie. Vamos conseguir acompanhar em tempo real o deslocamento, o comportamento desses animais aqui na nossa costa”, conta.
Foto: Divulgação / Projeto FaunaMar

O monitoramento do peixe-boi monitoramento vai proporcionar um avanço significativo na saúde clinica dos animais, com dados biológicos e genéticos, com respostas fundamentais a conservação da espécie. Outro ponto será possível traçar uma espécie de mapa com áreas que precisam prioritariamente ser protegidas, regiões que funcionam como corredores ecológicos, como ocorre o deslocamento em diferentes estuários, além de ameaças que podem afetar essa população.
A equipe técnica do FaunaMar, em parceria com a ONG Aquasis e a Fundação Mamíferos Aquáticos, instituições que atuam com peixe-boi ao longo da costa brasileira, fizeram expedição de reconhecimento em todo litoral do Piauí para sondar áreas de alimentação e melhores estratégias para desenvolver e realizar essa captura.
Atualmente, o projeto FaunaMar já realiza monitoramento embarcado para estimativa populacional no estuário Timonha e Ubatuba, situado na divisa entre o Piauí e o Ceará, área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba com um rico ecossistema costeiro com cerca de 700 km de manguezais preservados.
Esse tipo de monitoramento usa um sonar onde é colocado um transdutor acoplado a embarcação com a capacidade de captar imagens de 30m de distância a direita e esquerda. Ele serve ainda para captar a localização do animal com uso de sonda que possibilita avaliar a qualidade do ambiente com intuito de estimar a população, hoje quantificada em 75 animais, com a projeção de ser ainda maior.
“Hoje a gente sabe que a maior nação nativa de peixe-boi ocorre no Piauí e a gente tem observado bastante filhotes na nossa região. Essa área é abrigada, uma área considerada reprodutiva para esses animais, uma área de alimentação, de cuidado parental, onde as fêmeas vão parir e cuidar desses filhotes ao longo dos anos, onde ela fica com eles por cerca de 2 anos”, explica.
Espécie ameaçada de extinção
O peixe-boi é uma espécie criticamente ameaçada de extinção. O animal é considerado um indicador importantíssimo da saúde dos ecossistemas costeiro, com suas fezes fertilizam o solo, entre outros benefícios a outras espécies marítimas.
“Proteger essa espécie é o mesmo que estar protegendo manguezais, estuário e toda uma biodiversidade associada a esses ambientes. A gente tem um resultado muito positivo em relação as conversas e a comunidade porque eles entendem hoje que o peixe-boi está ali como companheiro da atividade. A gente diz que o peixe-boi é uma espécie guarda-chuva, ele está em cima e um monte de outras espécies dependem dele e que ele esteja bem. A certeza que o local de que ele está vai estar saudável”, explica a coordenadora do FaunaMar, Liliana Sousa.
O peixe-boi do Piauí tem função ecológica da espécie e funciona como ponto central de outras regiões mais próximas como Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão.O monitoramento será voltado para aprimorar as informações ainda desconhecidas sobre comportamento e deslocamento dos animais que habitam o estado. Isso vai contribuir para a conservação da espécie e compreender como os animais usam estuário e manguezais, além de outras áreas ao longo da costa.
“Apesar de ser um litoral pequeno é uma costa muito utilizada para o turismo para esportes náuticos. Então a gente também precisa ter essa resposta da ocupação desordenada da costa, a expansão urbana. E quando digo isso é que estratégia podemos adotar para mitigar esses impactos e manter a área do estuário que é importante para conservação da espécie”, finaliza.
O novo monitoramento vai avaliar ainda migração, áreas de uso, possíveis ameaças ao longo da costa com informações em tempo real de onde o animal está. Atualmente existem no Piauí seis animais reabilitados que serão monitorados. Eles estão no Centro de Reabilitação de Mamíferos Aquáticos em Pernambuco.
Fonte: Cidade Verde
