O Brasil criou 228 mil vagas de emprego com carteira assinada no mês de março, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado representa um crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano passado, com alta superior a 185%. No total, foram registradas mais de 2,5 milhões de admissões, contra cerca de 2,3 milhões de desligamentos.

De acordo com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, quatro dos cinco grandes setores da economia apresentaram saldo positivo, com destaque para o setor de serviços, que contratou mais de 152 mil pessoas:
“O maior crescimento do emprego formal ocorreu no setor de serviços, portanto, 152.391, um crescimento de 0,6%. Construção civil, 38.316; indústria, 28.336; comércio, 27.267. Somente a agropecuária teve um saldo negativo, de 18.096, o que tem a ver com sazonalidade, enfim, açúcar especialmente, mas também maçã.”
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o país já soma mais de 613 mil empregos formais criados.
Jovens e mulheres
O levantamento também aponta que a geração de empregos foi maior entre os jovens de 18 a 24 anos, que concentraram mais de 70% das novas vagas. As mulheres tiveram desempenho superior no saldo de contratações. Foram mais de 132 mil vagas ocupadas por mulheres e cerca de 96 mil por homens.
Unidades da federação
Na distribuição regional, 24 unidades da federação registraram crescimento no emprego formal. Os maiores saldos foram observados em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Já Alagoas, Mato Grosso e Sergipe apresentaram mais demissões do que contratações no período.
Ao final da coletiva, o ministro Luiz Marinho destacou as medidas do governo brasileiro para contornar as recentes crises globais que impactam no preço dos alimentos. Ele citou como exemplo o tarifaço de Donald Trump e a guerra no Oriente Médio:
“Olhando a repercussão da guerra assassina e irresponsável, criminosa, que acontece no globo e que repercute no mundo, repercute aqui. Tem repercutido seriamente no preço de combustíveis. Isso provoca mudança de humor, especialmente impacto inflacionário, enfim, e tem um processo de endividamento. E tem todo um esforço que o governo fez ao longo desses três anos de abrir novos mercados. Isso segurou bem, amenizou bem o impacto dos tarifaços do governo dos Estados Unidos.”
Novas medidas
Marinho disse ainda que o governo está preparando um conjunto de medidas, a serem anunciadas nos próximos dias e que não dependem de decreto ou proposta legislativa, para estimular o emprego e a economia.
Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período
A taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano ficou em 6,1%. O indicador fica acima do registrado no quarto trimestre de 2025 (5,1%), porém é a menor taxa de desocupação para um primeiro trimestre desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Nos três primeiros meses do ano passado, o desemprego tinha marcado 7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.
Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não ultrapassava 6%. No trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, a taxa de desocupação foi de 5,8%.
No entanto, o IBGE não recomenda comparação em meses imediatamente seguidos, pois há sobreposição de dados. Por exemplo, os números de fevereiro se repetem nas duas últimas divulgações da pesquisa. Por isso, o instituto prefere fazer comparações com o quarto trimestre de 2025.
Trabalhadores
O primeiro trimestre de 2026 terminou com 6,6 milhões em busca de emprego. É a chamada população desocupada. O contingente é 19,6% superior (1,1 milhão de pessoas) ao do quarto trimestre de 2025, porém fica 13% a menos que o primeiro trimestre de 2025.
No mesmo trimestre, o total de ocupados chegou a 102 milhões de pessoas, 1 milhão a menos que no último trimestre de 2025 e 1,5 milhão acima do contingente do primeiro trimestre do ano passado, ou seja, comparação anual.
Comportamento sazonal
O comportamento do mercado de trabalho no primeiro trimestre foi marcado por características sazonais, ou seja, típicas do período do ano, como explica a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy.
“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”
De todos os 10 agrupamentos de atividades apurados pelo IBGE, nenhum apresentou crescimento de ocupados, e três tiveram queda: comércio (1,5%, ou menos 287 mil pessoas ocupadas), administração pública (2,3%, ou menos 439 mil pessoas) e serviços domésticos (2,6%, ou menos 148 mil pessoas).
Queda na informalidade
Apesar de a taxa de desocupação ter aumentado no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último trimestre de 2025, o Brasil vivenciou redução da informalidade.
No trimestre encerrado em março, a taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada, o que equivale a 38,1 milhões de trabalhadores informais, ou seja, sem direitos trabalhistas garantidos.
No fim de 2025, a taxa era de 37,6%, enquanto no primeiro trimestre de 2025 era 38%.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,2 milhões, sem variações significativas no trimestre, mas subindo 1,3% (504 mil pessoas a mais) em um ano.
O contingente de trabalhadores sem carteira no setor privado teve retração de 2,1% (menos 285 mil pessoas) no trimestre, chegando a 13,3 milhões. Em um ano, houve estabilidade, isto é, sem mudança estatística significativa.
O número de trabalhadores por conta própria ficou estável no trimestre: 26 milhões. Em comparação ao primeiro trimestre de 2025, houve alta de 2,4% (607 mil pessoas a mais).
Pnad
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
A Pnad é divulgada no dia seguinte a outro indicador de comportamento do mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e que acompanha apenas o cenário de empregados com carteira assinada.
De acordo com o Caged, março apresentou saldo positivo de 228 mil vagas formais. Em 12 meses, o balanço é positivo em 1,2 milhão de postos com carteira assinada.
Fonte: Agência Brasil
